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Tecnologia 5G trará mudanças radicais para a sociedade

Tecnologia 5G trará mudanças radicais para a sociedade


  30/11/2018

Quinta geração de internet móvel deve permitir que praticamente qualquer objeto se conecte à internet através da rede celular

A rede de internet móvel 4G já está chegando ao seu limite e está com os dias contados para dar lugar a tecnologia 5G, que em meados de 2019 já será testado em países desenvolvidos como Japão, Estados Unidos, Alemanha e Coréia do Sul. 

A nova rede promete fazer muito mais do que apenas melhorar a qualidade de navegação, velocidade e das populares chamadas de vídeo. Ela mudará a forma como o ser humano se conecta com o mundo. O professor Renato Giacomini, coordenador do curso de Engenharia Elétrica do Centro Universitário FEI, respondeu algumas questões que ajudarão a entender melhor todo o potencial da próxima geração da internet móvel.

O que é a tecnologia 5G e como ela pode mudar nossa vida?

Prof. Renato - É a próxima geração da rede celular, que substituirá a atual, 4G. Em conjunto com outras tecnologias de telecomunicações e processamento de informações, trará mudanças radicais para a sociedade. Será um salto muito mais significativo do que nas transições de gerações anteriores. Com velocidades de até 10Gbps, latência reduzida a menos de 5ms e cerca de 100 bilhões de conexões simultâneas na rede, viabilizará usos para a comunicação móvel que eram impossíveis nas últimas gerações. Espera-se que o custo por bit transmitido caia em até 100 vezes em relação ao preço atual.

Será a era do “Everything on Mobile”, onde praticamente tudo poderá ser conectado à Internet pela rede celular. Espera-se que, em 2025, o tráfego na rede seja 10.000 vezes maior do que em 2015. Dispositivos vestíveis incrementarão a qualidade de vida e a produtividade no trabalho. Sensores incorporados às roupas (ou até implantados nas pessoas) vão monitorar constantemente a pressão arterial, a frequência cardíaca, glicemia e muitas outras variáveis de interesse médico. Será possível orientar a dieta, o uso de medicamentos, a prática de exercícios e praticamente todas as atividades. Será possível observar qualquer lugar do mundo em tempo real, assim como todas as grandes cidades.

O que falta para essa tecnologia ser implantada no Brasil e no mundo?

Prof. Renato - Ainda há lacunas tecnológicas, mas já existem algumas redes experimentais implantadas e muitas empresas possuem equipamentos que trabalham em milimeter waves, faixa do espectro candidata à implantação. Naturalmente, tudo dependerá das decisões estratégicas das empresas concessionárias, mas há um certo consenso que as primeiras redes comerciais chegarão entre 2019 e 2020.

Os aparelhos eletrônicos precisarão sofrer algum tipo de modificação para que seus usuários possam usufruir todo o potencial do 5G?

Prof. Renato - Sim. Muita coisa muda, não só nos terminais (aparelho celular), mas também na infraestrutura. Pode-se prever até 1 milhão de conexões por Km² nas áreas urbanas, o que vai se refletir na troca de equipamentos de cada célula, cada estação rádio-base. A alocação do espectro de frequências também deverá ser revista. Os engenheiros de telecomunicações têm muito trabalho pela frente, mas tenho confiança nos egressos das boas escolas. É uma geração que adora mudanças e desafios.

Podemos prever algum avanço que será possível fazer com internet 5G e que não conseguimos fazer agora?

Prof. Renato - Muitas das aplicações com especificações fortes de tempo de latência e velocidade se tornarão possíveis. Será possível, por exemplo, que os carros ‘conversem’ entre si, o que reduzirá em muito o trânsito e os acidentes. Com a latência de uma rede 4G, um automóvel move-se por dezenas de metros até que a rede possa comunicar alguma situação de perigo. Mas, com latência de 0,001 segundo, da rede 5G, o automóvel a 80Km/h se moverá menos de 3 centímetros até a informação ser transmitida.

Na sua opinião, como podemos usar o 5G para melhorar tarefas do dia a dia?

Prof. Renato - Transferindo para as máquinas e sistemas digitais as tarefas que não mereçam nossa inteligência e criatividade. Colocando nossos dados na nuvem e podendo acessar rapidamente qualquer informação, em vez de carregá-las debaixo do braço. Deixando de ‘baixar’ arquivos para armazenamento local e passando a simplesmente usá-los, quando necessário. Usando a realidade aumentada e realidade virtual de altíssima definição on-line, para enxergarmos, através da rede celular, o mundo inteiro, qualquer informação, a qualquer hora.

O que pode fazer com que essa tecnologia chegue ao seu limite?

Prof. Renato - A história mostra que a tecnologia é sempre derrotada pelas novas aplicações que surgem como decorrência dela própria. Por exemplo, a rede celular das primeiras gerações, criada para ligações telefônicas, tornou-se obsoleta rapidamente assim que foi possível a transmissão de dados. A rede 5G ficará obsoleta com as inovações a serem geradas a partir dela.

Há alguma ideia de como será a tecnologia que substituirá o 5G no futuro?

Prof. Renato - Ainda é difícil prever, mas é certo que os estudantes de engenharia de hoje serão os responsáveis pela criação do sucessor do 5G.