Um encontro coberto de saberes, cultura, filosofia, reflexões sobre a fé e diferentes olhares sobre o convívio social. São palavras que resumem um pouco do que foi a riqueza apresentada no evento “Vozes da Academia – Fé e Diálogo com o outro”, que teve a sua terceira edição sediada no Campus da FEI (Fundação Educacional Inaciana Pe. Sabóia de Medeiros), em São Bernardo do Campo, no último dia 19 de novembro. Na ocasião, a instituição foi palco para o lançamento de duas novas obras literárias, disponibilizadas pela Edições Loyola. Os livros são: “A Fé na Dinâmica do Espírito, segundo Paul Tillich”, de autoria de Pe. Pedro Rubens F. Oliveira, S.J., que é professor e Reitor da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco); e também “Pensar Outramente”, livro assinado por Pe. Nilo Ribeiro, S.J., pesquisador e professor da Unicap.
O evento contou com a presença e participação de estudantes, professores, colaboradores, bem como reitor, vice-reitores e também do Presidente da FEI, Pe. Theodoro Peters, S.J. Conduzindo a abertura, o Prof. Dr. Vagner Bernal Barbeta falou sobre a visão e responsabilidade da universidade como espaço de diálogo e exposição de saberes: “O evento Vozes da Academia nasceu da profunda convicção de que a Universidade Católica não é apenas um lugar de transmissão de saberes, mas um espaço vivo de produção de pensamento crítico e reflexão profunda. Por meio dela buscamos a formação integral de nossos estudantes, cultivando a competência profissional juntamente com um senso de transcendência e a dimensão espiritual”, afirmou em sua apresentação.
Em sequência, realizando a acolhida da comunidade e dos autores convidados, o Presidente, Pe. Theodoro Peters, S.J., chamou a atenção para as mensagens encontradas nas obras literárias. “A sensibilidade do Padre Pedro fez com que ele olhasse para a terra de onde ele nasceu, no sertão. Ele escreve que a terra dele é onde as pessoas se conversam, se entendem e os pássaros cantam. Então não temos só pessoas falando, temos a natureza respirando, expressando, acolhendo a vida. Uma leitura que nos ajuda a refletir sobre a dinâmica da fé e sua aplicabilidade em nossa vida. Já o Padre Nilo escreveu um livro interessantíssimo. Um pensar, como sempre pensamos, ou nós vamos pensar como ainda não pensamos?! A partir daí ele inventa uma palavra: “Outramente”. É como o poeta Fernando Pessoa dizia: ‘É por dentro das coisas que as coisas são’. Assim ele, Pe. Nilo, nos ajuda a caminhar para além de onde estamos. Caminhar outramente”.
Mensagens para a comunidade acadêmica
Após a abertura oficial, os autores, Pe. Pedro Rubens, S.J., e Pe. Nilo Ribeiro, S.J.; apresentaram suas obras literárias e dividiram suas reflexões sobre o processo de construção de cada um dos conteúdos. Ao final, dialogaram respondendo às perguntas do público presente e autografaram os livros, para uma fila que se estendeu no auditório do Prédio B, no Campus de São Bernardo do Campo. O momento de autógrafos também foi recheado com uma apresentação musical, organizada por um grupo de “chorinho”, liderado pelo Prof. Dr. Sérgio Delijaicov, do Curso de Engenharia Mecânica da FEI.
Em entrevista para a reportagem, o Reitor da Unicap, Pe. Pedro Rubens S.J., destacou sua mensagem deixada para a geração atual de estudantes em formação nas instituições jesuítas. “Antes de tudo, o tempo em que nós vivemos, apesar de ser muito conturbado, com muitas informações ao mesmo tempo, é também um tempo fascinante. A partir disso, o desafio para as novas gerações é escolher no meio de tantas opções, as coisas boas. Minha mensagem é para que estes jovens não se assustem, mas assumam suas causas, para que possam se inserir nesse mundo e transformá-lo”, afirmou.
Com o olhar de “outramente”, Pe. Nilo Ribeiro, S.J., também deixou sua mensagem à comunidade acadêmica, apontando para a responsabilidade na formação e transmissão de saberes. “A universidade é um lugar de cultivo das alteridades, das diferenças, para que a gente valorize a presença do outro, que a gente possa acolher o outro como ele é, e não como a gente espera que ele seja. Temos que fazer isso com muita responsabilidade, pois estamos formando novas gerações, que terão mais sensibilidade para com o outro”, explicou.