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XVI SICFEI amplia espaço para pesquisa e reforça troca de conhecimento entre áreas

XVI SICFEI amplia espaço para pesquisa e reforça troca de conhecimento entre áreas


  26/10/2026

Simpósio contou com trabalhos de graduação e Ensino Médio, palestra da diretora do CNPq e premiação de pesquisas desenvolvidas pelos alunos

A FEI realizou, no dia 22 de outubro, a XVI edição do SICFEI – Simpósio de Iniciação Científica, Didática e de Ações Sociais de Extensão da FEI. O Ginásio de Esportes do Campus São Bernardo do Campo, onde o evento foi concentrado, recebeu estudantes, professores, pesquisadores e convidados para apresentações de suas pesquisas. A abertura da agenda contou, ainda, com uma palestra da diretora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Profa. Dra. Débora Peres Menezes, que dialogou com a comunidade acadêmica sobre a importância dos investimentos em produções científicas.

A edição do SICFEI de 2026 ampliou a participação de pesquisadores com trabalhos de estudantes do Ensino Médio, bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e autores vinculados a instituições como UFABC, USP, UNIFESP, PUC-SP e SENAC. Também participaram bolsistas de iniciação científica júnior (PIBIC-EM/CNPq) do Colégio Santa Olímpia e da ETEC Lauro Gomes.

Na finalização do evento, as melhores pesquisas foram avaliadas e premiadas pela Coordenação do SICFEI e pela Vice-reitoria de Extensão e Atividades Comunitárias. Além disso, contou com um sorteio especial de um Tablet Samsung Galaxy Tab S10 Lite.

Pesquisa, ensino e extensão em diálogo

Um dos destaques desta edição foi a participação, pela primeira vez, de projetos de iniciação à extensão no simpósio. A novidade reforçou a proposta de aproximar o conhecimento produzido na instituição das necessidades da sociedade. Para a Profª. Drª. Michelly de Souza, vice-reitora de Extensão e Atividades Comunitárias da FEI, “isso não é um detalhe de programação. É o reconhecimento de que o conhecimento que é produzido    na FEI precisa encontrar a sociedade lá fora”.

A vice-reitora também destacou que a iniciação científica pode ser um momento decisivo na trajetória dos estudantes. “Aprendi que a iniciação científica é, muitas vezes, o momento em que um estudante descobre do que é capaz.” Ao longo de oito anos à frente da coordenação da Iniciação Científica da FEI, ela acompanhou alunos que apresentaram seus primeiros trabalhos e, anos depois, retornaram à instituição como mestres, doutores e profissionais atuantes no mercado.

O método científico na formação dos estudantes

A palestra da Profª. Drª. Débora Peres Menezes, diretora de Análise de Resultados e Soluções Digitais do CNPq, foi um dos pontos altos da programação. Física nuclear e professora titular voluntária da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela abordou a importância da metodologia científica e sua relação com a iniciação científica.

"A iniciação científica é uma sementinha que é plantada quando a pessoa está no Ensino Médio ou na graduação. É super importante para as pessoas perceberem como a ciência é feita, para não parecer uma coisa mágica. Tem todo um método por trás, e ela é bastante rigorosa", afirmou.

Segundo Débora, quem passa por essa experiência sai mais bem formado, independentemente do caminho que seguir. "Entender o método científico faz a pessoa prestar mais atenção em evidências, em dados", afirmou.

Projetos aproximam conhecimento e desafios reais

Os estudantes apresentaram pesquisas em todas as áreas de ensino, em um espaço que reuniu diferentes perspectivas, métodos e desafios.

Aluna de Engenharia Química, Camilla Larrubia apresentou uma pesquisa para tratar a hiperpigmentação periorbital, as olheiras, com o uso de uma enzima encapsulada. "O principal desafio é manter a estabilidade da enzima, porque ela é muito sensível: pode variar com o pH e com a temperatura e perder a atividade", explicou. Para ela, a iniciação contribuiu para a formação profissional. "Me enriqueceu muito na parte de laboratório e de controle de qualidade, de colocar a mão na massa de verdade."

Também de Engenharia Química, Nicole Colucci estuda a produção da enzima ADH a partir da levedura Saccharomyces cerevisiae. Ela destacou que o simpósio exige habilidades que a sala de aula pouco exercita: "Você aprende a explicar para o outro que não entende do seu trabalho. Você precisa fazer o outro entender o seu projeto de uma forma mais simples."

Já Eduardo Rhoden, de Engenharia Elétrica, levou um kit de eletrônica no formato de blocos de montar, pensado para despertar o interesse das crianças pela área. Em um dos circuitos, a criança toca dois conectores e o próprio corpo fecha o circuito e acende um LED. O projeto saiu vencedor na categoria de iniciação à extensão.

Em outro trabalho, Mikhael Yoshimasa, de Engenharia Mecânica, aplicou o método adjunto para otimizar superfícies aerodinâmicas da equipe AeroDesign da FEI. Para ele, a iniciação desenvolve autonomia: "Às vezes você tem que se virar, tem que ser um pouco mais autônomo. Isso você aprende muito com a iniciação científica."

Reconhecimento e incentivo à pesquisa

O evento premiou trabalhos de iniciação científica. Entre os vencedores esteve Lorena Carnelossi, estudante de Engenharia de Produção, autora de uma pesquisa sobre o 5G na Indústria 4.0. Ela contou que não esperava o reconhecimento. "É muito gratificante estar aqui e ganhar esse prêmio. Eu fico muito feliz de estar numa faculdade que me proporciona esse tipo de ensinamento", disse.

Para o Professor Rodrigo Doria, coordenador da organização do SICFEI, a experiência contribui para a formação acadêmica e profissional. "Esses projetos colaboram para que os alunos tenham maior autonomia, porque passam a depender um pouco menos dos professores e a entender os próprios resultados. Um evento como esse deixa os alunos muito mais desenvoltos, porque eles têm a chance de apresentar o trabalho para avaliadores internos e externos", explicou. Ele destacou o apelo do simpósio junto à comunidade FEIana e a adesão dos estudantes: "Os alunos realmente abraçam isso, e a Reitoria abraça também".

Aos estudantes que ainda não pesquisam, Rodrigo recomendou procurar um professor da área ou a coordenação de Iniciação Científica para encontrar orientação. "O principal é não ficar só com a ideia para si. Espalhe essa ideia.", afirmou.

Ao reunir projetos de diferentes instituições, cursos e etapas da formação, o XVI SICFEI reforçou a iniciação científica como espaço de aprendizado, troca de experiências e produção de conhecimento.