Na última semana, início de setembro, a FEI recebeu o pesquisador e doutorando João Cláudio Elsen Barcellos, do SpaceLab, laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), para uma nova etapa de testes de radiação no Laboratório de Efeitos de Radiação Ionizante (LERI), do Campus SBC. A atividade reforça a parceria entre as instituições e destaca a contribuição da infraestrutura da FEI para pesquisas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias para aplicações espaciais.
Coordenado pela Professora Marcilei Guazzelli, do departamento de Física da FEI, o LERI é dedicado ao estudo dos efeitos da radiação ionizante sobre materiais e dispositivos eletrônicos. A estrutura permite investigar como a exposição à radiação pode alterar o funcionamento desses componentes e avaliar sua capacidade de operar em ambientes com níveis elevados de radiação.
Nesta etapa dos testes, o objetivo é analisar os efeitos acumulados da radiação sobre o componente e verificar sua confiabilidade para utilização em missões espaciais de longa duração. “Meu foco dentro do SpaceLab é no subsistema que faz o gerenciamento de energia do satélite. Nesse tipo de circuito, temos componentes, como transistores, e agora estamos começando a utilizar transistores de nitreto de gálio. Quisemos continuar fazendo esses testes aqui justamente para ver o impacto que a radiação tem nesses tipos de componentes e saber se podemos utilizá-los em missões de longa duração”, explica João.
Estrutura da FEI contribui para pesquisas espaciais
Em ambientes espaciais, os componentes eletrônicos estão sujeitos à radiação, que pode provocar alterações graduais em seu funcionamento. Como as missões podem durar anos, compreender esse processo é fundamental para avaliar a confiabilidade dos sistemas antes de sua utilização.
Os experimentos realizados no LERI permitem reproduzir, em um período reduzido, efeitos que podem se acumular durante anos de exposição à radiação no espaço. Dessa forma, os pesquisadores conseguem observar possíveis processos de degradação e identificar se determinado componente apresenta condições adequadas para integrar uma missão. “Vindo aqui e vendo se há uma degradação muito repentina, muito rápida, a gente consegue saber se o componente é apto a ser utilizado na missão ou não”, explica o pesquisador.
A escolha da FEI para a realização dos testes também é resultado de uma parceria construída ao longo dos anos. João já havia utilizado a estrutura do LERI durante seu mestrado e retornou à instituição para dar continuidade às pesquisas. “Já estive na FEI de São Bernardo justamente porque fiz alguns testes no passado. Temos, na verdade, uma parceria de longa data. Durante o meu mestrado, fiz alguns testes de radiação e continuamos tendo essa parceria”, conta.
Segundo a Professora Marcilei, a pesquisa organizada na FEI vai além da realização dos testes e da análise dos efeitos da radiação. “Mais do que conduzir testes, mais do que estudar os mecanismos que causam esses efeitos de radiação, o que realmente desejamos é construir conhecimento, porque é o que nos leva a inovações e a gerar novas tecnologias”, destaca.
A atuação do LERI também contribui para a formação de estudantes e pesquisadores, com trabalhos desenvolvidos desde a graduação até o mestrado e o doutorado, em colaboração com instituições nacionais e internacionais.
A parceria com o SpaceLab representa mais uma aplicação da pesquisa desenvolvida na FEI em um desafio tecnológico de alta complexidade. Ao disponibilizar sua infraestrutura para a realização dos ensaios, a FEI contribui para a avaliação e o desenvolvimento de componentes que poderão integrar sistemas espaciais projetados para operar em condições severas e por longos períodos.