Depois de garantir o quarto título nacional da categoria Elétrico na Competição Fórmula SAE BRASIL, a equipe Fórmula FEI, composta por alunos da graduação, já comemora o resultado, mas também reflete sobre o trabalho que tornou o tetracampeonato possível. Capitão da equipe desde o fim da temporada anterior, o estudante Enzo Fuller acompanhou de perto todo o ciclo de desenvolvimento do carro e esteve à frente da equipe durante a competição, realizada entre os dias 29 de julho e 2 de agosto, no Centro de Desenvolvimento e Tecnologia da Ford, em Tatuí (SP).
Para Enzo, dois projetos se destacaram no ciclo de desenvolvimento da temporada. O primeiro foi o pacote aerodinâmico do carro, inteiramente concebido e fabricado pela própria equipe. "Um dos principais projetos acabou sendo o nosso pacote aerodinâmico, que foi 100% desenvolvido e manufaturado aqui na FEI, no nosso Centro de Desenvolvimento Motorsport, no campus de São Bernardo. Toda a manufatura, desde a concepção de moldes, laminação de perfis e montagem final, foi feita em nossa oficina e nas dependências do Centro de Laboratórios Mecânicos", conta o capitão.
O segundo diferencial foi o sistema de tração do veículo. A equipe desenvolveu o único carro 4x4 do país na competição, com quatro motores integrados em parceria com a empresa ETAS. "Outro grande diferencial que a gente teve foi todo o nosso controle, sendo ainda o único carro 4x4 do Brasil, trabalhando com quatro motores, com essa integração toda realizada por nós em parceria com a ETAS. Acredito que esses foram os nossos dois principais projetos", afirma Enzo.
Antes mesmo da competição, o protótipo já havia sido submetido a uma bateria intensa de testes dentro do próprio campus. "Aqui na FEI a gente conseguiu testar bastante o carro. Tivemos por volta de 100 km de teste, trabalhando em diversas provas, desde o autocross até principalmente o skidpad, o que com certeza fez diferença para conseguirmos um bom resultado nessas provas lá na competição", explica.
O desafio na competição começou já na inspeção técnica, etapa em que os carros são avaliados quanto à segurança antes de entrar em pista. "A gente nunca sabe o que esperar e sabe que pode ter errado em alguma coisa. Mas, felizmente, todo o nosso trabalho, principalmente com foco em segurança e qualidade do carro, provou que foi atingido com sucesso, dado que fomos a primeira equipe elétrica a ser aprovada", relata Enzo.
A aprovação antecipada permitiu à equipe testar o carro antes mesmo do início das provas dinâmicas. "Isso com certeza contribuiu para investigarmos algumas coisas que elevaram o nosso desempenho no sábado", diz o capitão.
No dia seguinte, a equipe disputou três provas dinâmicas: aceleração, autocross e skidpad. Na aceleração, o Fórmula FEI Elétrico obteve o melhor tempo geral da competição, à frente inclusive dos carros a combustão. "No sábado a gente competiu em três provas: na aceleração, autocross e no skidpad. Na aceleração conseguimos o melhor tempo geral entre carros, considerando a categoria elétrica e combustão. No skidpad também conseguimos vencer na categoria elétrica. No autocross, infelizmente, tivemos algumas questões e acabamos ficando em segundo lugar, não conseguimos conquistar a prova", detalha Enzo.
A pontuação acumulada nas provas estáticas, que avaliam projeto, custos e apresentação. foi decisiva para o título. “A gente teve uma bagagem muito forte na competição. Construímos nossa pontuação também nas provas estáticas, tendo vencido a prova de design, o que com certeza contribuiu para o nosso quarto título na categoria elétrica", afirma Enzo.
Com sete títulos na categoria Combustão e agora quatro na categoria Elétrico em 21 anos de participação na Fórmula SAE BRASIL, a Fórmula FEI carrega a história de ser a equipe mais vitoriosa da competição. Apesar disso, segundo Enzo, essa tradição funciona como estímulo, não como pressão. "Isso é um peso enorme que a gente carrega, mas a gente nunca vê como um problema, a gente sempre usa isso para se desafiar mais, para buscar a excelência cada vez mais, que é o que a gente vem fazendo, conquistando os títulos no carro elétrico em 2025 e agora em 2026", diz o capitão.
Além do histórico da equipe, representar a instituição também carrega um peso simbólico para os integrantes do projeto. "A gente sabe o nome que a FEI tem, a gente sabe a qualidade que a FEI tem. A Fórmula SAE é uma competição que a gente entende como a maior de engenharia do país, então com certeza é um peso muito grande. A gente sabe que conquistar a competição traz também uma conquista de prestígio muito grande para a instituição", completa Enzo.
Para o capitão, participar de projetos institucionais como o Fórmula FEI é uma experiência que vai muito além da competição e contribui diretamente para a formação. "O que é muito importante de ser falado é que participar de qualquer projeto, seja Fórmula, AeroDesign, entre outros que a FEI proporciona, é extremamente importante e muito benéfico para a carreira como engenheiro e como pessoa. Isso te dá diversas oportunidades para você se desenvolver e se tornar um engenheiro muito melhor", afirma.