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Em parceria internacional, pesquisa da FEI avança no reconhecimento de ações humanas em imagens de câmeras de monitoramento de linhas de produção por meio da IA

Em parceria internacional, pesquisa da FEI avança no reconhecimento de ações humanas em imagens de câmeras de monitoramento de linhas de produção por meio da IA


  30/07/2026

Modelo validado com dados de referência global utiliza linguagem para identificar novas etapas de montagem, automatizando linhas de tempo na produção e potencializando o uso de robôs colaborativos

O Centro Universitário FEI, que celebra 85 anos de atuação acadêmica, apresentou no INOVAFEI, evento institucional destinado à exposição e premiação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), uma pesquisa de Inteligência Artificial aplicada à Engenharia de Automação que introduz o conceito de "vocabulário aberto" no monitoramento fabril. Desenvolvido pelo aluno e pesquisador Lucas Teles Thomaz sob a orientação dos professores Carlos Eduardo Thomaz (FEI) e Kunyu Peng (Karlsruhe Institute of Technology), o projeto FACT-CLIP resultou em um sistema que segmenta e identifica ações humanas em vídeos de linhas de produção ao alinhar registros visuais a descrições em texto. O avanço científico do trabalho foi validado por meio de cooperação internacional com foco na otimização de processos industriais complexos.

A validação do algoritmo utilizou o benchmark HA-ViD, base de dados de referência que reúne 86,9 horas de gravação e mais de 1,5 milhão de quadros de vídeo sob diferentes ângulos e condições de iluminação. Na análise de segmentação tradicional, com 75 classes integradas ao treinamento, a arquitetura obteve 42,7% de acurácia média quadro a quadro, superando trabalhos recentes em métricas comumente usadas neste problema (F1 e Edit), indicadores globais que avaliam a precisão, a continuidade e a ordem lógica das ações no vídeo. No teste de vocabulário aberto com cinco classes inéditas e ausentes do treinamento, o modelo FACT-CLIP proposto atingiu 7,8% de acurácia e 10,0% de F1, enquanto os sistemas convencionais mantiveram-se em 0% por não reconhecerem comandos fora de sua lista rígida de programação.

O orientador do projeto e professor Carlos Eduardo Thomaz, explica que o método expande significativamente o limite dos softwares convencionais de monitoramento por câmeras: "O 'vocabulário aberto' busca tornar esse processo mais flexível ao criar uma ponte entre as imagens do vídeo e descrições escritas das ações. Quando o modelo encontra uma ação nova, nunca vista antes durante o treinamento, ele pode reconhecê-la a partir de uma descrição textual de movimentos e objetos cujos elementos já conhece. O sistema deixa então de depender exclusivamente de uma lista rígida e abre caminho para incluir novas ações por meio da linguagem, sem recomeçar todo o treinamento do zero."

O mapeamento temporal gerado pelo FACT-CLIP foi estruturado com foco em ambientes de montagem industrial. O sistema converte os registros visuais em linhas de tempo automatizadas (etapas de posicionamento, inserção e fixação de componentes), o que viabiliza sua aplicação no suporte ao treinamento de operadores, auditoria de qualidade, documentação de processos e na segurança contra falhas de ordenação operacional. Há ainda potencial de integração com robôs colaborativos para antecipação de suporte ao trabalhador humano.

O pesquisador e autor do trabalho, Lucas Teles Thomaz, detalha que o algoritmo foi concebido durante seu intercâmbio na Alemanha e demandou um esforço computacional robusto em cooperação internacional: "A parceria nasceu no Karlsruhe Institute of Technology (KIT), onde surgiu o desafio de aplicar o vocabulário aberto à arquitetura FACT. Unindo a orientação da FEI com a colaboração do KIT, nós acrescentamos um mecanismo de alinhamento com o CLIP. Como a parte computacional era muito pesada, o instituto alemão disponibilizou acesso aos seus clusters com GPUs NVIDIA Quadro RTX 6000 e 8000. Mesmo de volta ao Brasil, consegui realizar todos os treinamentos conectando-me aos servidores deles por VPN e SSH."

Os resultados obtidos qualificam o FACT-CLIP como uma prova de conceito em estágio laboratorial, restrita a câmeras fixas. Fatores como oclusões visuais severas, deslocamento de câmeras e baixos índices de luminosidade não integraram o escopo dos testes atuais e demandam novas etapas de investigação científica antes de uma eventual viabilidade comercial da tecnologia.

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