Estudantes do curso de Engenharia Mecânica Plena do Centro Universitário FEI, que completa 85 anos em 2026, desenvolveram uma solução inovadora capaz de gerar economias significativas para o transporte rodoviário de cargas. Sob a orientação do professor Rodrigo Bernardello Unzueta, os alunos Enzo Alves Zanatta, João Vitor Teixeira Ribas e Manoel Leone Cardoso criaram o projeto "AeroLoad: Estudo da Geometria de Veículos de Carga visando a Economia de Combustível". A inovação, que foi destaque no INOVAFEI, evento de apresentação de TCC da FEI, consiste na adição de uma carenagem na parte traseira do baú do caminhão que reduz o arrasto aerodinâmico em 12,6% e resulta em uma economia direta de 6,1% no consumo de diesel por quilômetro rodado, quando o veículo se desloca a uma velocidade constante de 90 km/h, o que gera inclusive redução nos gastos com combustível.
A modificação proposta pelo grupo possui um formato aerodinâmico que afunila em direção à traseira, assemelhando-se a uma pirâmide de topo plano. Essa estrutura foi projetada especificamente para mitigar a zona de baixa pressão que se forma atrás do caminhão em movimento, que é um dos principais fatores responsáveis pela resistência do ar. Para a construção física do componente, o grupo previu o uso de chapas de policarbonato, que se destacam por serem baratas, resistentes e fáceis de manipular. O cálculo do impacto de 6,1% na economia de combustível já levou em consideração a massa extra de aproximadamente 100 quilos que a carenagem adicionaria ao veículo pesado.
O estudante Enzo Alves Zanatta detalha como funcionou o processo de validação técnica do design: “algumas geometrias foram simuladas em software de simulação fluidodinâmica (CFD), comparando o arrasto com e sem a carenagem. Os valores de redução se referem à melhor geometria entre as simulações. Depois, um modelo em escala foi testado em um túnel de vento, onde se obteve uma redução do arrasto aerodinâmico similar à redução obtida nas simulações.”
Embora os dados técnicos comprovem a eficiência da solução, a aplicação comercial do projeto esbarra em um entrave burocrático na legislação brasileira de trânsito, que limita o comprimento máximo permitido para os caminhões. Como grande parte das frotas de transporte rodoviário já opera no limite desse teto dimensional, a instalação da carenagem atualmente só é viável em caminhões que estão abaixo do tamanho máximo permitido por lei.
O orientador do projeto, professor Rodrigo Bernardello Unzueta, defende que a tecnologia serve como um forte argumento técnico para propor uma modernização nas leis vigentes: “é algo interessante mostrar para as câmaras legislativas que a utilização desse tipo de carenagem é benéfica e solicitar uma alteração na lei que permita o uso dessas geometrias de forma generalizada. Essa permissão reduziria o custo nos transportes, o consumo de diesel e reduziria as emissões de gases do efeito estufa”. Apesar dessa restrição legal para uso irrestrito, o custo estimado de implementação da estrutura em policarbonato é baixo quando comparado à ordem de grandeza financeira envolvida na manutenção e operação de um caminhão, o que já atraiu o interesse e o contato inicial de empresas do setor de transportes e logística.