Notícias Fei

Estudo da FEI redesenha geometria de veículos de carga para reduzir gastos com combustível

Estudo da FEI redesenha geometria de veículos de carga para reduzir gastos com combustível


  17/07/2026

Projeto AeroLoad desenvolve carenagem traseira aerodinâmica de baixo custo que diminui o arrasto em 12,6% e atrai o interesse do setor de transportes

Estudantes do curso de Engenharia Mecânica Plena do Centro Universitário FEI, que completa 85 anos em 2026, desenvolveram uma solução inovadora capaz de gerar economias significativas para o transporte rodoviário de cargas. Sob a orientação do professor Rodrigo Bernardello Unzueta, os alunos Enzo Alves Zanatta, João Vitor Teixeira Ribas e Manoel Leone Cardoso criaram o projeto "AeroLoad: Estudo da Geometria de Veículos de Carga visando a Economia de Combustível". A inovação, que foi destaque no INOVAFEI, evento de apresentação de TCC da FEI, consiste na adição de uma carenagem na parte traseira do baú do caminhão que reduz o arrasto aerodinâmico em 12,6% e resulta em uma economia direta de 6,1% no consumo de diesel por quilômetro rodado, quando o veículo se desloca a uma velocidade constante de 90 km/h, o que gera inclusive redução nos gastos com combustível.

A modificação proposta pelo grupo possui um formato aerodinâmico que afunila em direção à traseira, assemelhando-se a uma pirâmide de topo plano. Essa estrutura foi projetada especificamente para mitigar a zona de baixa pressão que se forma atrás do caminhão em movimento, que é um dos principais fatores responsáveis pela resistência do ar. Para a construção física do componente, o grupo previu o uso de chapas de policarbonato, que se destacam por serem baratas, resistentes e fáceis de manipular. O cálculo do impacto de 6,1% na economia de combustível já levou em consideração a massa extra de aproximadamente 100 quilos que a carenagem adicionaria ao veículo pesado. 

O estudante Enzo Alves Zanatta detalha como funcionou o processo de validação técnica do design: “algumas geometrias foram simuladas em software de simulação fluidodinâmica (CFD), comparando o arrasto com e sem a carenagem. Os valores de redução se referem à melhor geometria entre as simulações. Depois, um modelo em escala foi testado em um túnel de vento, onde se obteve uma redução do arrasto aerodinâmico similar à redução obtida nas simulações.”

Embora os dados técnicos comprovem a eficiência da solução, a aplicação comercial do projeto esbarra em um entrave burocrático na legislação brasileira de trânsito, que limita o comprimento máximo permitido para os caminhões. Como grande parte das frotas de transporte rodoviário já opera no limite desse teto dimensional, a instalação da carenagem atualmente só é viável em caminhões que estão abaixo do tamanho máximo permitido por lei. 

O orientador do projeto, professor Rodrigo Bernardello Unzueta, defende que a tecnologia serve como um forte argumento técnico para propor uma modernização nas leis vigentes: “é algo interessante mostrar para as câmaras legislativas que a utilização desse tipo de carenagem é benéfica e solicitar uma alteração na lei que permita o uso dessas geometrias de forma generalizada. Essa permissão reduziria o custo nos transportes, o consumo de diesel e reduziria as emissões de gases do efeito estufa”. Apesar dessa restrição legal para uso irrestrito, o custo estimado de implementação da estrutura em policarbonato é baixo quando comparado à ordem de grandeza financeira envolvida na manutenção e operação de um caminhão, o que já atraiu o interesse e o contato inicial de empresas do setor de transportes e logística.

```