06/02/2017 

 O Papel das PMES nos Mercados é Fundamental 

 O coordenador do curso de Administração da FEI, William Francini, destaca como as PMES possuem um papel importante no desenvolvimento do país 

Temos inúmeras evidências da importância das peque­nas e médias empresas na formação do Produto Interno Bru­to (PIB) do Brasil, assim como na geração de empregos e na massa de salários. Uma das fontes, o Ser­viço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), destaca que os pequenos negócios na economia brasileira respondem por 27% do PIB, 52% dos empre­gos com carteira assinada e 40% dos salários pagos. (SEBRAE, 2016) Por outro lado, temos ouvido com muita frequência, há vários anos, a palavra inovação. Ela se tornou um mantra na agenda da sociedade.

Parece haver um consenso de que a inovação pode gerar valor em diversas formas – por meio da geração de mais conhecimento, edu­cação, novos produtos e serviços, úteis não somente a consumidores e clientes, mas muitas vezes aos cidadãos e suas comunidades. Claro, perspectivas críticas são sempre importantes, e questionamentos so­bre esta ‘onda de inovação’ podem ser bastante interessantes.

A palavra inovação é frequentemente aplicada como uma inven­ção que foi bem-sucedida comercialmente, isto é, deixou o laborató­rio ou a bancada e foi colocada no mercado. Em contrapartida, uma invenção pode ter sido gerada, mas nunca ter deixado o laboratório, nem encontrada uma aplicação prática ou viabilidade econômica.
 
Quanto ao processo de inovação e de desenvolvimento de novos produtos, montantes consideráveis de tempo e dinheiro, dentre ou­tros recursos, são investidos pelas organizações na busca de novas oportunidades, uma vez que tais investimentos aumentam a capa­cidade de criar, usar conhecimentos novos e recombinar e reutilizar outros existentes. Já o processo criativo está ligado à geração e ges­tão de ideias.

A correlação entre a gestão de ideias e a geração de no­vos produtos e serviços é alta no contexto econômico-organizacional. Para tanto, faz-se necessário que o processo de execução da inova­ção esteja devidamente estruturado, e cuja referência internacional é denominada FEI (Front End of Innovation). É possível resumir os principais processos de inovação em grandes temas centrais, como as estratégias de inovação, o sistema de gestão de ideias, a gestão de portfólio de projetos e a gestão da cultura de inovação.

Outros pilares podem ser considerados, como inteligência tecnológica e incentivos legais para a inovação. A importância de métricas de desempenho com vistas ao mapeamento do nível de maturidade da inovação nas organizações torna-se mais evidente. E o radar da inovação constitui uma das ferramentas disponíveis para esta função.

Estas são algumas das variáveis ligadas ao processo de gestão da inovação. E quanto a realidade da inovação nas PMEs? Aqui não estamos considerando somente as empresas iniciantes, com base tecnológica, mas as milhares de PMEs em operação no mercado. Sabidamente este grupo de empresas tem maior dificuldade em obter crédito, taxas de juros mais competitivas, e acesso a institui­ções de fomento e órgãos do governo - no caso, a projetos com vistas na melhoria da competitividade empresarial.

Neste sentido, mencionamos alguns dos instrumentos de apoio à inovação em âmbito nacional, que em tese devem estar à dispo­sição, inclusive às pequenas empresas. Seguem alguns exemplos, citados no guia de apoio à inovação, da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI). O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e suas linhas, como a Capital Inovador (foco na empresa), Inova­ção Tecnológica (foco no projeto), Cartão BNDES para Inovação, e Programas específicos setoriais, tais como PROFARMA, PRO­SOFT, FUNTTEL e PROENGENHARIA.

Ainda dentre os instrumentos de apoio financeiro existem as linhas de incentivo fiscal – como incentivos fiscais para P&D em qualquer setor industrial (Lei do Bem, capítulo III), e incentivos para P&D no setor de informática e automação (Lei 11.077/2004), assim como linhas de Capital de Risco, além dos fundos privados de capital de risco. Existem ain­da outras linhas, como o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.

Ainda como instrumentos de apoio à inovação, existem os Instrumentos de Apoio Tecnológico e Gerencial, dentre os quais destacamos aqueles ligados ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), como os Fundos Setoriais, Portal Inovação, Sistema Brasi­leiro de Tecnologia (Sibratec), Sistema Brasileiro de Resposta Téc­nicas (SBRT) e Programa Nacional de Incubadoras (PNI), e aqueles ligados à FINEP, como seus programas de Cooperação entre ICTs e Empresas, Apoio à Pesquisa e Inovação em Arranjos Produtivos Locais (PPI-APLs) e Projeto INOVAR.

O SEBRAE conta também com o SEBRAEtec, o Programa Agentes Locais de Inovação (ALI), Pro­grama SEBRAE de Incubadoras de Empresas e Programa Alavanca­gem Tecnológica (PAT). Finalizando, o Serviço Nacional de Apren­dizagem Industrial (SENAI) oferece o Programa SENAI de Inovação Tecnológica, o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) promove programas focados em informação e consultoria para negócios, propriedade intelectual na indústria e capacitação em gestão e estratégias de inovação para Empresas de Pequeno Porte.

Por último, temos o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) que gerencia o processo de patenteamento no país. Como vemos, sobram linhas de apoio à inovação no Brasil. Por que o avanço tecnológico e a inovação nas pequenas empresas ain­da parecem estar em níveis modestos, vis-à-vis tantas linhas e pro­gramas com este enfoque?


Prof. Willian Francini
Coordenador do curso de Administração da FEI – campus São Paulo




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